Abandono de entrevista e ataque à imprensa são rotina de Bolsonaro após pergunta incômoda

Foto: Estadão Conteúdo

A frase usada por Jair Bolsonaro neste domingo (23) para responder a um repórter que lhe perguntou sobre depósitos feitos por Fabrício Queiroz à primeira-dama é o mais recente capítulo de uma prática adotada pelo presidente desde o início do mandato: encerrar de maneira abrupta declarações à imprensa, por vezes de forma agressiva, e evitar perguntas incômodas durante crises políticas.

O hábito foi mais frequente a partir do segundo semestre do ano passado, com a repercussão de crises e de escândalos no governo.

Neste domingo, durante uma visita de cinco minutos a ambulantes da Catedral de Brasília, um repórter do jornal O Globo questionou o presidente sobre os motivos para Queiroz e sua mulher terem repassado R$ 89 mil para a conta de Michelle Bolsonaro. Após a insistência do repórter, sem olhar diretamente para ele, afirmou: “A vontade é encher tua boca com uma porrada, tá?”.

Amigo do presidente há 30 anos, Queiroz atuou como assessor de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) na Assembleia Legislativa do Rio, quando o filho do presidente era deputado estadual. Queiroz está em prisão domiciliar e, assim como Flávio, é investigado sob suspeita dos crimes de peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

As respostas agressivas de Bolsonaro a repórteres e as negativas a responder perguntas tiveram uma trégua nos últimos meses. Isso ocorreu após jornalistas terem parado de comparecer à portaria do Palácio da Alvorada por razões de segurança e depois que o próprio mandatário passou a conversar com seus apoiadores dentro da residência oficial, onde profissionais da imprensa não têm acesso.

Mas o hábito revivido neste último domingo foi uma constante em 2019, nos primeiros meses deste ano e no início da pandemia, nos meses de março, abril e maio.

A maior parte teve relação com denúncias envolvendo auxiliares presidenciais, como o ministro Marcelo Álvaro Antônio (Turismo) e o secretário Fabio Wajngarten (Secom), e controvérsias relacionadas a seus filhos, como o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Em março, por exemplo, o presidente encerrou duas entrevistas ao ser questionado por jornalistas sobre se ele teria provas para justificar a suspeita feita por ele de que houve fraude na eleição de 2018. Durante uma visita a Miami, nos EUA, Bolsonaro disse, se não fossem essas fraudes, teria vencido a eleição já no primeiro turno da disputa.

Via Folha de São Paulo

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