Banksy compra barco de resgate para salvar refugiados no Mediterrâneo central

O artista de rua Banksy comprou um barco de resgate para salvaguardar refugiados em situação de risco, que tentam chegar à Europa a partir do Norte da África.

A embarcação, chamada Louise Michel, é adornada com obras do artista, incluindo um retrato de uma menina com colete salva-vidas, segurando uma bóia rosa no formato de um coração.

Nesta quinta-feira (27), Louise Michel resgatou 89 refugiados na região central do Mar Mediterrâneo, segundo o jornal britânico The Guardian. Agora, procura um porto seguro para deixar seus passageiros.

Em setembro de 2019, Banksy contactou por e-mail a ex-capitã Pia Klemp, que trabalhou para diversas ongs e resgatou milhares de pessoas: “Olá Pia, li sobre sua história nos jornais. Você parece durona. Sou um artista do Reino Unido e fiz algumas obras sobre a crise dos refugiados, obviamente não posso guardar o dinheiro. Você poderia usá-lo para comprar um novo barco ou algo assim? Por favor, deixe-me informado. Muito bem. Banksy.”

A princípio, Klemp pensou ser uma piada, mas prosseguiu com o projeto, junto de sua tripulação, embora em segredo, para que não fosse interrompido antes de navegar pela primeira vez.

Ao The Guardian, Klemp enfatizou ter esperanças de que o novo barco consiga chegar primeiro aos botes de refugiados no Mediterrâneo, em relação à “chamada guarda costeira da Líbia … que os leva de volta a campos de detenção no país”.

Desde 2016, partidos populistas de extrema-direita e sua agenda anti-imigração ganharam terreno no continente europeu. Estados-membros da União Europeia colaboram com a guarda costeira da Líbia para devolver refugiados que navegam em botes improvisados e pequenos barcos de madeira.

Somente em 2017, a guarda costeira reduziu o número de pessoas que chegaram à Itália de 144.000 a 46.000 imigrantes, segundo a rede Info Migrant. Entretanto, a proporção de mortos aumentou. Em 2018, uma entre cada 35 pessoas morreram na rota do Mediterrâneo central, comparado com uma entre 50 pessoas, no ano anterior.

A guarda costeira da Líbia deliberadamente sabotou operações de resgate conduzidas por barcos de resgate voluntários. Seus membros foram acusados de envolvimento em contrabando e tortura.

Junto de outros grupos de direitos humanos, o Human Rights Watch exorta as instituições da União Europeia a “suspender qualquer ação que prenda pessoas a um país onde estão sob constante e grave perigo”.

Em julho, Banksy doou uma de suas obras, no valor de US$1 milhão, a um leilão para ajudar a financiar uma unidade para tratamento de derrame e comprar equipamentos de reabilitação para crianças, no hospital de Belém, Palestina ocupada.

A obra – intitulada Vista do Mar Mediterrâneo 2017 – retrata a costa repleta de coletes salva-vidas laranjas e bóias de resgate.

Via MEMO

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