Inflação, desemprego e descaso com saúde comprometem desempenho de bolsonaristas

Foto: Antonio Cruz

A explicação para o iminente desastre dos candidatos de Bolsonaro é o seu governo submisso aos bancos. Sem propostas para a saída da crise, e diante da inflação que atinge os mais pobres, com desemprego recorde e avanço da Covid-19 no país, a tropa bolsonarista nos municípios não empolga e patina na disputa pelas prefeituras. “Trinta por cento querem, outros 70% dos eleitores não. Como que se ganha eleições se 70% não votam em você?”, questiona Marcos Coimbra

As candidaturas identificadas com o presidente Jair Bolsonaro estão derretendo. Há 13 dias das eleições municipais, o bolsonarismo-raiz e seus candidatos não empolgam boa parte do eleitorado. A análise é do sociólogo e presidente do Vox Populi, Marcos Coimbra. “Trinta por cento querem, outros 70% dos eleitores não. Como que se ganha eleições se 70% não votam em você?”, questiona Coimbra, comentando as recentes pesquisas, em entrevista ao Brasil 247. A explicação para o iminente desastre bolsonarista é o Palácio do Planalto, que atua submetido aos interesses dos bancos. Sem propostas para a saída da crise e diante da inflação que atinge os mais pobres, do desemprego recorde e do avanço da Covid-19 no país, Bolsonaro e sua tropa não têm força eleitoral.

As primeiras vítimas da aposta na vinculação com Bolsonaro são os candidatos Marcelo Crivella, no Rio de Janeiro, e Celso Russomano, em São Paulo. Ambos são do partido Republicanos. Crivella patina e está praticamente foram do 2º turno, enquanto o apresentador de TV e dublê de deputado caiu 7 pontos na última pesquisa. “No Rio, Crivella imita Russomano. Agarram-se com todas as suas forças a Bolsonaro. Chega a beirar o ridículo”, critica Coimbra. Em outras cidades importantes, como Belo Horizonte, Recife e Fortaleza, bolsonaristas explícitos ou enrustidos também enfrentam crescentes dificuldades.

Não fossem suficientes os negativos indicadores econômicos, Bolsonaro insiste em debochar das dificuldades do povo. Na véspera do país atingir 160 mil mortos pela Covid-19, o governo ameaçou dar início a um projeto de entrega das Unidades Básicas de Saúde à iniciativa privada. “Privatizar o SUS na pandemia é o novo projeto de #BolsonaroGenocida para tirar dos pobres e dar aos ricos”, denunciou a presidenta nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR). “Já passou da hora de interditar Bolsonaro, abrir o impeachment, mostrar os crimes responsabilidade que este homem está cometendo”, advertiu.

PT cresce em todo o país

A fragilidade das candidaturas bolsonaristas, por outro lado, causa transtorno e mudanças de opinião nos principais veículos da mídia conservadora, ao mesmo tempo em que intensificaram os ataques ao PT. “Por que incomoda tanto um partido que chegou ao 40 anos, envelhecido, sem rumo e sem votos?”, ironizou o líder do PT na Câmara, deputado Enio Verri (PT-PR). “Será que é porque ele tirou 36 milhões da pobreza, levou água para 12 milhões, fez 18 universidades e mais de 170 campi, construiu mais de 4 milhões de habitações?”, questionou, para em seguida responder:“É porque ele é vanguarda”.

Ao contrário de velha tática de tentar conter ou isolar a legenda, o que se observa no país é o crescimento das candidaturas petistas em grandes centros e nas cidades médias. A “tese” de que “era só tirar o PT” que as coisas melhorariam esbarra na alta dos preços da cesta básica, no desemprego de 14,4% e nas filas de famílias em busca de comida. Diferente de Bolsonaro, a presença de Lula, como maior cabo eleitoral nestas eleições, também impulsiona as campanhas e mobiliza a militância em todas as regiões. A aposta na antipolítica e do apelo às fake news perde terreno.

Da Redação

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